{"id":857,"date":"2026-02-02T14:53:30","date_gmt":"2026-02-02T17:53:30","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadesantacruz.com.br\/?p=857"},"modified":"2026-02-02T14:53:31","modified_gmt":"2026-02-02T17:53:31","slug":"oficina-do-diabo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadesantacruz.com.br\/?p=857","title":{"rendered":"Oficina do Diabo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Minha opini\u00e3o sobre o primeiro e esperado filme da Brasil Paralelo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cont\u00e9m alto n\u00edvel de spoiler<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, devo dizer que \u00e9 muito bom ter algo que n\u00e3o seja pornochanchada, debates sobre a mis\u00e9ria da sociedade humana com fundo de teologia da liberta\u00e7\u00e3o e aquela atmosfera poeirenta e pesada dos anos 80 no Brasil terceiro-mundista. Ah, muito bom n\u00e3o ter nada a ver com regime militar, ditadura, tortura ou coisa que o valha.<\/p>\n\n\n\n<p>Feita esta pondera\u00e7\u00e3o, devo dizer o quanto \u00e9 bem-vinda \u2013 e quase tardia \u2013 uma produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica livre das amarras conhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isto, existe uma forma de narrativa mais livre, natural, sem querer conduzir sempre a consci\u00eancia do telespectador pela doutrina olavista &nbsp;(sim, at\u00e9 um \u201cOlavo\u201d apareceu no filme). Esse tipo de abordagem costuma funcionar melhor, pois o telespectador n\u00e3o \u00e9 burro. Pode soltar o filme sem medo! Infelizmente, n\u00e3o \u00e9 o que acontece aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>A produtora, famosa por seus excelentes document\u00e1rios, parece ter muita dificuldade em transpor o ritmo documental para a fic\u00e7\u00e3o. O narrador est\u00e1 sempre presente, ainda que disfar\u00e7ado em um personagem ou outro, substituindo o tradicional narrador explicativo. O resultado? Um ritmo de \u201cdocument\u00e1rio fict\u00edcio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Faltam cenas bem constru\u00eddas, sem saltos bruscos de um quadro para outro, sem serem obrigatoriamente acompanhados de di\u00e1logos did\u00e1ticos. Faltam cen\u00e1rios mais vivos e di\u00e1logos naturais (n\u00e3o instrutivos), como na vida real. H\u00e1 personagens excessivamente caricatos \u2013 os intelectuais, por exemplo, pareciam os amigos de J\u00f3 na B\u00edblia, mas ainda mais for\u00e7ados. Ser\u00e1 t\u00e3o dif\u00edcil fazer um di\u00e1logo de pessoas c\u00e9ticas bem feito? Ou um di\u00e1logo esnobe realista sem soar como uma vers\u00e3o de <em>Mean Girls<\/em>?<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto curioso: o que acontece com as mulheres jovens nesta produ\u00e7\u00e3o? Assim como na maioria das produ\u00e7\u00f5es da Brasil Paralelo, todas parecem vers\u00f5es da Lara Brenner!(?) Estamos diante de um padr\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa em cap\u00edtulos, com t\u00edtulos como no livro, soa for\u00e7ada \u2013 nem isso deixam para o espectador! \u00c9 uma experi\u00eancia cativa, mas com sinal trocado. Se em <em>Ainda Estou Aqui<\/em> o espectador \u00e9 lindamente engambelado e nem percebe aonde perdeu o ju\u00edzo, em <em>Oficina do Diabo<\/em> ele se mant\u00e9m consciente o tempo todo de que est\u00e1 assistindo a um filme \u201cgospel cat\u00f3lico\u201d bonito, com o Olavo no meio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pontos altos:<\/strong> a cidade de Paul\u00ednia \u2013 um lindo cen\u00e1rio; Elizangela (sempre \u00f3tima, deixou muitas saudades); a qualidade da imagem (muito boa); as cenas da Igreja e de m\u00fasica; e os figurinos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a experi\u00eancia geral acaba sendo mais depressiva do que esperan\u00e7osa. A mensagem \u00e9 bonita, mas h\u00e1 sofrimento demais para que seja plenamente apreciada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minha opini\u00e3o sobre o primeiro e esperado filme da Brasil Paralelo Cont\u00e9m alto n\u00edvel de spoiler Inicialmente, devo dizer que \u00e9 muito bom ter algo&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-857","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tribunadesantacruz.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/857","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tribunadesantacruz.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tribunadesantacruz.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadesantacruz.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadesantacruz.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=857"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tribunadesantacruz.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/857\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":858,"href":"https:\/\/tribunadesantacruz.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/857\/revisions\/858"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tribunadesantacruz.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadesantacruz.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadesantacruz.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}